O administrador-executivo da empresa municipal Pombal Viva revela conclusões da auditoria e está satisfeito pela “não existência de fraudes”. No entanto, são enumeradas alguns aspectos relevantes.
João Vila Verde rodeou-se de alguns funcionários da Pombal Viva e chamou os jornalistas
para lhes dizer que as conclusões da auditoria externa realizada às
contas da empresa municipal, da qual é
administrador-executivo, aponta para a “não existência de
fraudes, melhor, nem indícios de tal acontecimento”.
Numa conferência de imprensa, para a
qual estava anunciada a presença do conselho de administração mas
que acabariam por não comparecer, João Vila Verde muniu-se de toda
a documentação alusiva às festas do Bodo 2008, para que pudesse
ser consultada pelos jornalistas.
Começou por fazer uma resenha
histórica da sua acção enquanto administrador-executivo da empresa
municipal, não tendo poupado a elogios à actividade desenvolvida
durante os seis anos. “Não sou nenhum super herói, mas marcámos
a região Centro”, disse. Por outro lado, criticou todos aqueles
que o têm criticado, tendo afirmado que “não devemos ser de
vistas curtíssimas”.
Vila Verde diz que tudo o que fez “foi
em prol da empresa municipal e do próprio município” e agradeceu
a “liberdade que o presidente da Câmara sempre me deu e a
confiança que em mim depositou”.
Relativamente às festas do Bodo 2008,
refere que “rompemos com tudo o que se fez no passado” e
reconhece alguns erros e lacunas naturalmente ocorridos por ser um
“ano piloto”. “Dei muito de mim ao evento” pelo que “sinto-me
injustiçado perante a situação”, diz.
E porque sempre esteve de “consciência
verdadeiramente tranquila” João Vila Verde tomou a iniciativa de
divulgar publicamente as conclusões da auditoria financeira
realizada às contas da empresa municipal. Até porque, no seu
entender, “o mais importante para progredir na vida é dizer que o
relatório não aponta para qualquer fraude ou desvio de fundos para
proveito próprio”. Isto porque Vila Verde pretende deixar o cargo
no final do mandato e tomar um novo rumo na sua vida.
Reconhece que se precipitou ao ter
apresentado as primeiras contas do Bodo cerca de quinze dias após a
sua realização que apontava para um défice inferior a 100 mil
euros. Um valor que viria a triplicar quando foi apresentado o
relatório de contas da empresa municipal em finais de Março deste
ano.
Um prejuízo que Vila Verde tenta
minimizar ao referir que em anos anteriores as festas tiveram muito
mais despesa para o Município. No entanto, “penitencio-me porque
fui optimista”, diz.
Já no período de respostas aos
jornalistas, o administrador-executivo da Pombal Viva não conseguiu
explicar porque é que foi afastado da organização das festas de
2009, pelo próprio presidente do conselho de administração, quando
este teve conhecimento das conclusões da auditoria e poucos dias
depois de ter sido celebrado um contrato-programa com a Câmara. “O
presidente entendeu que deveria ser o município a ficar no leme da
organização o Bodo”, disse, acrescentando que “não tenho outra
justificação para essa decisão”.
Nas suas conclusões, os auditores
apresentam alguns aspectos que, “pela sua relevância devem merecer
a especial atenção do Conselho de Administração” da Pombal
Viva.
A primeira refere-se ao facto de não
ter sido aprovado formalmente, conforme exigência legal, nenhum
orçamento de actividades com a inclusão da organização das festas
do Bodo no ano de 2008. “O orçamento e plano de actividades
aprovado pelo Executivo Municipal para 2008 não contemplava a
organização daquele evento, fazendo menção de que o mesmo seria
revisto logo que a competência da organização das festas fosse
formalmente delegada”, refere o documento.
No ponto seguinte, os auditores referem
que a empresa “nas suas aquisições nem sempre tem seguido as
normas constantes” no regime jurídico da contratação pública e
“tampouco tem seguido as normas de controlo interno que constam do
seu manual de procedimentos”.
Por outro lado, os auditores
identificaram dois fornecedores que em Dezembro de 2008 emitiram duas
Notas de Crédito (valor conjunto de 15.670 euros + IVA), a anular
duas facturas emitidas de fornecimentos para as Festas do Bodo e que
em Janeiro de 2009 voltaram a emitir as facturas desses
fornecimentos. “Trata-se de uma situação que teve como
consequência a transferência de custos que realmente são de 2008
para o ano de 2009”, referem.
Identificaram, também, dois casos “um
pontual em 2006 (3.360 euros) e outro de serviços continuados pelo
menos desde 2006 (em 2008 por 541,67 euros/mês) – cujos
descritivos das facturas não correspondem aos serviços prestados
pelos seus emitentes, o que falseia a realidada das transacções
efectuadas”.
A auditoria cita ainda a existência de
“vários documentos de suporte a despesas sem validade fiscal,
sendo os mais frequentes relacionados com valores pagos às Bandas
que actuam no Café Concerto”. “Os valores pagos são apenas
suportados por documento interno onde se identifica o número do
cheque e a quem foi emitido, não existindo qualquer documento
exterior relativo à prestação dos serviços”, referem os
auditores, acrescentando que “o valor dessas despesas por nós
identificadas atinge no triénio 2006/8 a quantia de 90.598,98 euros,
o que a serem consideradas como não documentadas pela Administração
Fiscal serão tributadas em 50% do seu valor”.
Por outro lado, “da análise
efectuada aos saldos de clientes e aos valores dos ajustamentos para
dívidas a receber de cobrança duvidosa” os auditores estimam em
cerca de 12.836,53 euros “o valor da sobreavaliação das dívidas
a receber de clientes e, por consequência, da subvalorização dos
custos do exercício”.
Por último, os auditores,
representados pelo Revisor Oficial de Contas José Jesus Carreira,
refere que “em termos de Registo Comercial, a Pombal Viva apresenta
um capital estatutário de 3.991.450,00 euros, enquanto que a sua
contabilidade apresenta um valor de 100.000,00 euros de capital”.
“Esta discrepância deve-se ao facto de a empresa nunca ter
procedido ao registo comercial da redução do capital resultante do
seu acto constitutivo, apesar de ter havido deliberação do
Executivo Municipal nesse sentido”, referem.
27 de Maio de 2009